RIO POMBA, QUE BOM QUE EU TE ESCOLHI.
Por Fábio Moura.
Desde que me mudei para Rio Pomba em abril de 2015, tenho me surpreendido positivamente com o modo como venho me adaptando aos novos costumes que encontrei por aqui. Nasci na cidade de São Paulo, morei em Guaratinguetá por um tempo e, por último, em Guarulhos, antes de vir parar em Minas Gerais. Costumo dizer que troquei a Babilônia pelo Paraíso. Nenhum outro lugar que conheci encontrei pessoas tão acolhedoras como no berço da zona da mata mineira. Em nenhum outro lugar, também, tive tantas oportunidades de realizar coisas importantes para mim e para a cidade, desde das aulas de filosofia no ginásio, passando pelos espetáculos teatrais que dirigi no IF, ao Cine Clube Itinerante, que leva filmes de qualidade para comunidades rurais de Rio Pomba e Silveirânia, as oficinas e projetos culturais e agroecológicos junto a Associação Écoletivo, da qual tenho profundo orgulho de fazer parte, além da amizade e respeito mútuo que tenho tido com grandes e importantes artistas e intelectuais da região, me fazem acreditar que fiz a escolha certa. Até colunista deste importante veículo de imprensa eu me tornei, o que me confere uma importância que, definitivamente, eu não tenho.
De tudo que aprendi e desfrutei nos mais de quarenta anos morando em grandes cidades, quase nada posso aproveitar por aqui. Também não estava em meu propósito impor minha cultura e o meu jeito de ser alterando os costumes locais. Sempre tive comigo que eu é quem estava mudando, que eu precisava dessa mudança e, desde que aqui estou, tenho me esforçado ao máximo para mudar meu jeito para algo mais próximo do mineirês que encontrei por aqui. Entre gírias como mano, mina, véio encontro espaço para o trem bão demais sôh, o andá a vida toda pra chegá ali pertim e esperá o Sol isfriá para poder sair de casa.
Rio Pomba me deu a tranquilidade que eu buscava, embora as exigências da vida não parem de aumentar, me curou, ou quase isso, da ansiedade, da depressão, da síndrome do pânico que me paralisavam nos últimos anos que vivi na metrópole. Já não corro mais contra o tempo, deixo o tempo me levar, acordo e vou dormir junto com as galinhas, me alimento de modo mais correto, com comida de verdade em três refeições diárias, me divirto com moderação, mantenho meus amigos próximos o suficiente para não me sentir sozinho e nem aborrecê-los, tenho tido amizades inspiradoras e de grande proveito tem sido conhecer novas pessoas.
Já trabalho há sete anos na mesma escola, com pessoas que estudaram e hoje trabalham ali, que continuarão ali, com quem conviverei por muitos anos ainda, seria terrível se eu não gostasse do lugar onde trabalho. Tenho um carinho muito especial pelo ginásio e todos os professores, professoras e funcionários com quem convivo ali. Os prazeres de viver por aqui são completamente outros, novos ainda para mim, um deles é a possibilidade de desfrutar de amizades duradouras, que acompanham a gente pela vida toda, algo muito difícil de se imaginar em terra tão agitada e de mudanças tão repentinas como São Paulo ou Guarulhos.
Já senti muita falta de frequentar cinema, teatro, shows de artistas famosos a preços módicos, quando não de graça, grandes exposições, feiras internacionais, bienais, livrarias entre tantas atrações culturais que não se vêm por aqui. Vejo a agenda cultural de São Paulo e as vezes até dá vontade de voltar para lá, mas logo a vontade passa, é só deitar na rede, acender um paieiro, esperar e pensar que aqui agora é o meu lugar. É aqui que vou dedicar minha velhice, aqui que termino de criar meus filhos, é aqui que quero ver minha neta crescer, é aqui que estão meus melhores amigos e o amor especial que a vida reservou para mim nessa altura de minha vida, que só poderia acontecer aqui. Aqui me sinto um homem melhor, para mim mesmo, para aqueles que tanto amo, a natureza que cultuo, a filosofia e a arte que me guiam.
Aos poucos, venho encontrando meu espaço, aos poucos venho mostrando que posso retribuir cada afeto, cada afago, cada gesto de carinho que tenho recebido dos moradores locais, cada acolhimento, cada sorriso e abraço sincero. Sou feliz com a escolha que fiz, grato pela intuição que me trouxe até aqui, aos deuses e orixás que vêm me guiando para mudar quem sou para alguém muito melhor, alguém que eu me orgulhe em ser um dia. Ainda tenho muito que evoluir, mas esses oito anos de adaptação sinalizam que estou no caminho certo e que eu não teria progredido tanto sozinho, nem em outro lugar.
Mais que a maravilhosa culinária, mais que bendita cachaça mineira, a melhor que há no mundo, são as pessoas que me prender por aqui. É de relações humanas que me alimento, são as pessoas com quem convivo que mais tem me ensinado a viver, a viver bem, alimentando paz, alegria, prosperidade, amor, felicidade e sabedoria. Levou tempo para eu descobrir que viver é mais simples do que parece, que não precisamos de tanto para quase nada, que podemos desfrutar a vida com calma, sem pressa, sem maiores problematizações, sem complicar as coisas, sem cobrar tanto de nós mesmos e, especialmente, de quem está ao nosso lado.
A vida interiorana tem me sido uma experiência das mais agradáveis. A maturidade dos meus cinquenta anos pede calma, já corri demais para minha idade, agora é hora de colher os belos frutos da existência, da realização plena da vida, do contemplar muito mais do que acumular, do sorrir, do brincar, do criar sem a necessidade de se promover, apenas pelo prazer de viver. E, se a saudade bater, nada me impede de dar um pulinho ali, rever as irmãs, os sobrinhos, alguns amigos e depois voltar. Mas, falando a verdade, prefiro recebe-los aqui do que voltar para lá, mesmo que seja a passeio. Acredito que encontrei meu lar.







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