As chuvas recentes em Juiz de Fora e Ubá nos lembram, mais uma vez, a força devastadora da natureza e a importância de estarmos preparados para enfrentar tragédias como essas. Comparando com eventos passados, como as enchentes de 1979, percebemos que, embora as catástrofes continuem a ocorrer, nossa capacidade de resposta depende diretamente do planejamento e da organização municipal.
Juiz de Fora é um exemplo a ser seguido há mais de 40 anos. Sua Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil tem se destacado pelo profissionalismo e pela adoção de práticas modernas de mapeamento georreferenciado. A cidade, com suas características geográficas desafiadoras — morros íngremes, ladeiras e áreas suscetíveis a deslizamentos —, sempre priorizou o levantamento detalhado de riscos e a implementação de políticas preventivas. Essa abordagem é fundamental para minimizar os impactos de desastres naturais.
Esse trabalho não é exclusividade de grandes cidades. Qualquer município pode adotar ferramentas semelhantes, especialmente com o apoio do IBGE, que disponibiliza dados georreferenciados precisos e acessíveis. Além disso, entidades como a AMPAR (Associação dos Municípios da Zona da Mata) podem desempenhar um papel estratégico ao incentivar parcerias entre prefeituras e instituições educacionais, como o Instituto Federal do Sudeste. Essas parcerias podem fornecer tecnologia, formação de profissionais e estudos detalhados para auxiliar na gestão territorial.
Lembro-me de um episódio marcante em 1987, quando ocupava o cargo de Chefe de Gabinete do município de Rio Pomba. Na ocasião, recebi a incumbência de acompanhar um engenheiro do DNOS que veio avaliar a calha do rio Pomba, na altura da ponte da Estação, para verificar a necessidade de planejar uma intervenção pelo governo federal. Ansioso por saber qual seria a solução definitiva e seu custo para a cidade, questionei o engenheiro sobre o assunto. Com muita sabedoria, ele me respondeu: "Meu filho, a pior chuva que vai passar aqui, está por vir." Ou seja, ninguém consegue mensurar quando a natureza trará um dilúvio maior.
Essa lição permanece viva em minha memória e reflete a importância de planejarmos com humildade e visão de longo prazo. O domínio do território sob a gestão municipal deve ser uma prioridade absoluta. Com base nos dados do IBGE, é possível georreferenciar áreas de risco, planejar intervenções preventivas e otimizar a alocação de recursos. Isso não apenas salva vidas, mas também reduz os custos econômicos e sociais de tragédias como as que estamos presenciando.
Portanto, faço um apelo aos gestores municipais e às entidades de apoio: sigam o exemplo de Juiz de Fora. Invistam em planejamento, mapeamento e prevenção. Incentivem parcerias com instituições educacionais e utilizem as ferramentas disponíveis para garantir que nossas cidades estejam preparadas para enfrentar os desafios impostos pela natureza. O futuro de nossas comunidades depende dessa visão estratégica.
Gilberto dos Santos é servidor público com mais de 40 anos de experiência em gestão pública e planejamento territorial







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